Por Daniel Benedetti


Entramos na terceira parte da Discografia Biográfica desta incrível banda que é o Iron Maiden. Neste episódio, vai-se tratar daquela que foi a fase mais crítica que o grupo atravessou, com a passagem do vocalista Blaze Bayley pela donzela e a saída e o retorno de Bruce Dickinson. Confira!


Depois de mais uma turnê e mais algum tempo de folga, a banda se preparava para seu próximo álbum de estúdio.

Depois de gravar No Prayer for the Dying, de 1990, em um celeiro na propriedade rural de Steve Harris, com o Rolling Stones Mobile Studio, levando a resultados negativos para aquele álbum, Harris transformou a construção em um estúdio adequado (batizado de "Barnyard").

Bruce Dickinson descreve os resultados da obra como “uma ligeira melhora porque Martin (Birch) entrou e supervisionou o som. Mas havia grandes limitações naquele estúdio - simplesmente por causa de seu tamanho físico, coisas assim. [Na verdade] acabou não muito ruim, mas você sabe, um pouco abaixo do par”.

Com quase 58 minutos de duração, Fear of the Dark foi o primeiro LP duplo de estúdio do Iron Maiden, bem como o álbum mais longo da primeira passagem de Dickinson na banda.

O estilo musical do álbum mostrou algumas experiências sonoras como "Be Quick or Be Dead", uma música de ritmo rápido em um estilo mais pesado, lançada como o primeiro single do álbum, e "Wasting Love", a primeira balada do grupo, que remonta ao primeiro álbum solo de Dickinson, Tattooed Millionaire. Ambas as músicas eram colaborações de Dickinson e Gers, que contrastavam com "Afraid to Shoot Strangers", de Harris, uma música política do ponto de vista de um soldado na Guerra do Golfo, mas que Dickinson costumava apresentá-la como uma narrativa anti-guerra.

O Iron Maiden em 1990

"Fear Is the Key" é sobre o medo de se contrair AIDS em relações sexuais. A música foi escrita na época em que a banda soube da morte do vocalista do Queen, Freddie Mercury. Dickinson afirmou: "Existe uma frase em 'Fear Is the Key' que diz: ninguém se importa até que alguém famoso morra. E isso é tristemente verdadeiro. [...] Enquanto o vírus estava confinado a homossexuais ou narcotraficantes, viciados, ninguém deu a mínima. É só quando as celebridades começam a morrer que as massas começam a se preocupar".

"Weekend Warrior" é sobre o hooliganismo no futebol.

De acordo com o biógrafo da banda, Mick Wall, a capa do álbum Fear of the Dark retrata seu mascote, Eddie, "como uma espécie de figura de árvore de Nosferatu olhando para a lua".

Foi a primeira capa de álbum do grupo a não ser desenhada pelo artista Derek Riggs, cujas contribuições foram rejeitadas em favor da de Melvyn Grant. De acordo com o empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, a banda começou a aceitar contribuições de outros artistas, pois "Queríamos atualizar Eddie para os anos 90. Queríamos tirá-lo do tipo de criatura de terror dos quadrinhos e transformá-lo em algo um pouco mais direto para que ele se tornasse ainda mais ameaçador”.

Após Fear of the Dark, Grant produziu várias outras capas para o Iron Maiden, fazendo dele o segundo artista mais frequente a trabalhar com o conjunto depois de Riggs.

Fear of the Dark seria o último álbum do Iron Maiden a ter a produção de Martin Birch e o primeiro a listar o baixista Steve Harris como produtor.


FEAR OF THE DARK – 1992

Fear of the Dark foi lançado pela EMI Records em 11 de maio de 1992, com suas gravações ocorrendo entre 1991 e abril de 1992, no Barnyard Studios, em Essex, na Inglaterra. Uma verdadeira “porrada” abre o álbum, que é “Be Quick or Be Dead”, uma faixa bem pesada, mas bem mais direta que o estilo tradicional do Iron Maiden. “From Here to Eternity” é a segunda faixa do álbum e é outra canção bem conhecida da banda, uma ótima música, com um grande riff e ótimo ritmo. “Afraid to Shoot Strangers” é das primeiras faixas do grupo a conter um estilo que seria dominante no Iron Maiden daquele ponto em diante: músicas com uma longa introdução em estilo calmo e tranquilo, no baixo ou em alguns casos no violão/guitarra, e que, do meio para o final da faixa, a intensidade e o peso aumentam. “Fear Is the Key” é mais cadenciada e tem uma dose de hard rock, enquanto “Childhood’s End” traz uma boa introdução e solos interessantes. “Wasting Love” é a uma balada típica, a qual foge bastante da sonoridade clássica da banda, entretanto, isto não impede que a mesma seja uma boa canção. “The Fugitive” começa com um riff forte seguido de um trabalho interessante de Nicko McBrain na bateria. “Chains of Misery” também possui um bom riff, mas o refrão quebra um pouco o ritmo da música ao mesmo tempo em que “The Apparition” tem uma levada mais cadenciada, mas é uma canção sem muito brilho. “Judas Be My Guide” tem um solo inicial curto, mas belo, por parte de Murray e o refrão é inspirado e bem cantado por Dickinson. “Weekend Warrior” também é uma canção com a intro mais leve e depois conta com um riff com pegada hard rock. Fecha o álbum um dos maiores clássicos do Heavy Metal e que dispensa maiores apresentações, “Fear of the Dark”, um hino do Iron Maiden e que se tornou presença constante e obrigatória nos shows da banda. "Be Quick or Be Dead" e “From Here To Eternity” foram singles lançados para promoverem o disco, atingindo, respectivamente, a 2ª e a 21ª posições da principal parada britânica desta natureza. “Wasting Love” também foi lançada como single, mas não repercutiu bem. O álbum Fear Of The Dark ficou bem posicionado nas principais paradas de sucesso de álbuns, conquistando a 12ª posição nos Estados Unidos e atingindo a primeira posição na parada britânica. As críticas da imprensa especializada ao álbum são controversas, algumas positivas e várias negativas. Fear of the Dark é uma sensível melhora quando comparado ao seu antecessor, mas ainda muito longe do ápice de criatividade do grupo, pois conta, simultaneamente, com canções muito boas e outras totalmente descartáveis.

Fear of the Dark contou com as primeiras contribuições de Gers na composição, e nenhuma colaboração entre Steve Harris e Bruce Dickinson nas músicas. A extensa turnê mundial que se seguiu, incluiu sua primeira etapa na América Latina (após um único concerto durante a World Slavery Tour) e a atração principal nos festivais Monsters of Rock em sete países europeus.

A segunda apresentação do Iron Maiden, em Donington Park, para uma audiência de mais de 68 mil pessoas (o público foi limitado após o incidente de 1988), foi filmado para o lançamento em áudio e vídeo, Live at Donington, e contou com a participação do guitarrista Adrian Smith, que se juntou à banda para tocar "Running Free".

Em 1993, Dickinson deixou a banda para continuar sua carreira solo, mas concordou em permanecer para uma turnê de despedida e dois álbuns ao vivo (posteriormente relançados em um único pacote).

O primeiro, A Real Live One, apresenta músicas de 1986 a 1992 e foi lançado em março de 1993. O segundo, A Real Dead One, conta com músicas de 1980 a 1984, e foi lançado depois que Dickinson deixou a banda.

O Maiden em 1992

A turnê não correu bem, com Steve Harris alegando que Dickinson só se apresentava adequadamente em shows de alto nível, e que em vários outros, ele apenas ‘murmurava ao microfone’.

Dickinson negou que ele estava com desempenho insuficiente, afirmando que era impossível "se parecer com o Sr. Happy Face se a vibração não estivesse certa", dizendo que as notícias de sua saída da banda haviam impedido qualquer chance de uma boa atmosfera durante a turnê.

Bruce Dickinson fez seu show de despedida com o Iron Maiden em 28 de agosto de 1993, que foi filmado, transmitido pela BBC e lançado em vídeo sob o nome Raising Hell.

Em 1994, a banda ouviu centenas de fitas enviadas por vocalistas de todo o mundo antes de convencer Blaze Bayley, anteriormente da banda Wolfsbane, que havia apoiado a turnê do Iron Maiden em 1990, a fazer um teste com eles.

Bruce Dickinson em 1993

A escolha preferida de Harris desde o início, Bayley tinha um estilo vocal diferente do seu antecessor, que acabou recebendo uma recepção fria entre os fãs.

Na verdade, diz a lenda que Harris convidou Bayley logo após a saída de Bruce, mas Bayley negou o convite para o teste pois tinha muitos compromissos com o Wolfsbane. Uma vez que sua agenda terminou, Bayley ligou para Harris para que eles agendassem um teste. Esta lealdade de Blaze com seu conjunto contou pontos para ele sob a ótica de Steve Harris.

Também no campo dos boatos, diz-se que alguns membros do Maiden não concordavam com a escolha de Blaze Bayley, mas teriam sido convencidos por Steve Harris de que ele seria a melhor opção. O outro candidato mais forte à vaga foi Doogie White.

Após um hiato de dois anos (bem como um hiato de três anos de lançamentos em estúdio - um recorde para a banda na época), o Iron Maiden retornou em 1995, lançando seu próximo álbum de estúdio, The X Factor.

O novo vocalista, Blaze Bayley

O título do lançamento surgiu no início da gravação do álbum. Segundo o produtor Nigel Green:

Todos nós sentimos que a maneira como as coisas estavam progredindo - as músicas, o novo envolvimento de Blaze, o som, o compromisso - o novo álbum realmente teria essa qualidade extra, esse pouco de mágica, esse 'X Factor'. Este se tornou o título de trabalho para o álbum e gostamos, por isso o mantivemos. Também é muito adequado, já que este é o nosso décimo álbum de estúdio e o "X" pode trazer muitas imagens”.

A arte da capa de X Factor mostra Eddie passando por outra lobotomia e foi criada por Hugh Syme. Devido ao estilo "realista" da capa, a banda foi forçada a lançar o álbum em uma capa reversível, incluindo uma alternativa menos gráfica, mostrando Eddie à distância. O álbum também foi o último até The Book of Souls, em 2015, a usar o clássico logotipo da banda.

Este disco também foi incomum para o conjunto, pois produziu várias composições que não entraram no álbum, com Steve Harris comentando: "Acabamos fazendo 14 músicas e usamos onze, o que é muito incomum para nós". Todas as três músicas, "I Live My Way", "Justice of The Peace" e "Judgement Day", foram lançadas como B-sides, as duas últimas também sendo apresentadas na coletânea Best of the 'B' Sides.

"The Edge of Darkness" é baseada no filme Apocalypse Now, de 1979, adaptada de Heart of Darkness, de Joseph Conrad. "Man on the Edge" é baseada no filme de 1993, Falling Down, e "Lord of the Flies" é baseada no romance de William Golding com o mesmo nome.

"Sign of the Cross" é baseada no romance de Umberto Eco, The Name of the Rose e é a sexta música mais longa do Iron Maiden, com mais de 11 minutos de duração. Versões ao vivo de "Blood on the World Hands" e "The Aftermath" podem ser encontradas no álbum de compilação Best of 'B' Sides.


THE X-FACTOR – 1995

The X-Factor foi gravado novamente no estúdio ‘caseiro’ de Steve Harris, o Barnyard Studios entre 1994 e agosto de 1995, com produção do próprio Harris em parceria com Nigel Green. O disco foi lançado pela EMI Records em 2 de outubro de 1995. “Sign of the Cross” é a primeira evidência de que Blaze Bayley era a pessoa errada para o lugar errado, pois é uma composição impressionante que é arruinada pelo vocalista, visto que expõe de modo evidente as limitações do cantor. “Lord of the Flies” não necessariamente chega a empolgar enquanto “Man on the Edge” é facilmente uma das melhores composições do disco, sendo rápida, pesada e direta. "Fortunes at War" não é das mais inspiradas canções ao passo que “Look for the Truth” possui potencial, mas novamente é arruinada pela atuação de Blaze. “The Aftermath” é, certamente, um dos melhores esforços do disco e antecede a não mais que mediana “Judgement of Heaven”. A inspirada “Blood on the World's Hands” precede a também muito interessante “The Edge of Darkness” que é seguida por “2 A.M.”, uma música soturna, que mescla partes acústicas e pesadas, com grande atuação de Blaze. Fecho o álbum a inexpressiva “The Unbeliever”. “Man on the Edge” e “Lord of the Flies” foram os singles lançados com a primeira atingindo a 10ª colocação da principal parada britânica desta natureza. The X-Factor conquistou a 8ª e a 147ª posições das principais paradas de álbuns, a britânica e a norte-americana, respectivamente. A crítica especializada recebeu o disco de forma bem morna. The X-Factor reflete bem o período conturbado da vida pessoal de Steve Harris: assim, o disco é sombrio, soturno e bastante depressivo. Entretanto, não adianta se criar composições que pedem a presença de um vocalista com os dotes de um Bruce Dickinson quando se tem um Blaze Bayley na posição. Desta forma, as melhores faixas são as que se enquadram melhor nas capacidades do então novo cantor do conjunto.

Apoiando o álbum teve-se a turnê X Factour. Assim como a turnê do álbum seguinte, Virtual XI, várias datas nos Estados Unidos foram canceladas, pois Bayley sofria de problemas vocais ocasionais por conta da agenda pesada de shows da banda.

A banda excursionou pelo resto de 1995 e 1996, tocando pela primeira vez em Israel e na África do Sul, terminando nas Américas. Após a turnê, o Iron Maiden lançou um álbum de compilação, Best of the Beast. A primeira coletânea da banda, incluiu um novo single, "Virus", no qual a letra ataca os críticos, que recentemente criticavam o grupo.

O próximo disco seria Virtual XI, décimo primeiro álbum do conjunto.

O título de Virtual XI está associado a dois eventos extra-musicais: o lançamento do jogo de computador da banda, Ed Hunter, e o fato da Copa do Mundo da FIFA de 1998 acontecer em junho daquele ano.

Harris explica: “Nós achamos que nossos fãs são praticamente os mesmos que nós, com os mesmos interesses, então pensamos: É o ano da Copa do Mundo em 98. Vamos envolver o futebol no novo álbum. E nós já estávamos trabalhando em um jogo de computador naquela época, então pensamos: Bem, vamos trazer esse elemento para as coisas também”.

X-Factor Tour

Antes do lançamento do álbum, a banda organizou uma turnê publicitária na qual eles realizaram partidas de futebol em toda a Europa com ‘músicos convidados e jogadores profissionais do Reino Unido’.

Enquanto a maioria das obras de arte do encarte do álbum foi retirada do jogo Ed Hunter, a capa foi criada por Melvyn Grant. De acordo com Grant, ele foi convidado a projetar algo relacionado à realidade virtual, mas, mais tarde, foi convidado a alterar a obra adicionando um jogo de futebol, e a banda decidiu então vincular o lançamento à Copa do Mundo.

Este também foi o primeiro álbum a apresentar o novo logotipo alternativo do grupo, com as extremidades estendidas dos "R", "M" e os dois "N" removidas. Essa variante seria usada em todos os futuros álbuns de estúdio, álbuns ao vivo (com exceção de Flight 666 e Maiden England '88) e singles até The Final Frontier.

Para este álbum, algumas partes de teclado foram executadas pelo fundador/baixista da banda, Steve Harris, enquanto nos álbuns anteriores todas as partes do teclado foram providenciadas pelo técnico de baixo de Harris, Michael Kenney.

Estilisticamente, Bayley afirma que Virtual XI “foi um álbum mais otimista [em comparação com o seu antecessor], porque havíamos sobrevivido à 'X-Factour' ... éramos uma banda e, eu senti, estávamos no caminho”.

Bayley e Harris

De acordo com Harris, “Futureal”, cujas letras foram escritas por Bayley, é “sobre ficar preso na realidade virtual”, e a descreve como “um rock bastante direto, mas com estilo Maiden".

O empresário Rod Smallwood afirma que “teve um pouco de batalha com Steve” ao lançar "Futureal", em vez de "The Angel and the Gambler", como o principal single do álbum, pois "Steve bateu o pé".

De acordo com Harris, "The Angel and the Gambler" "é a história desses dois personagens, um cara meio desonesto, uma mosca à noite, e um anjo que é enviado para tentar consertá-lo - exceto que ele não está ligado".

Das músicas restantes do álbum, "Lightning Strikes Twice" é, segundo Harris, "uma música do tipo nunca diga nunca ... É uma música muito positiva e esperançosa, que você pode ler de várias maneiras diferentes". The Clansman foi inspirada no filme Braveheart, que Harris afirma ser “sobre como é pertencer a uma comunidade que você tenta construir e então você tem que lutar para pararem de tirá-la de você”.

Falando sobre "When Two Worlds Collide", Harris diz: "Liricamente, acho que Blaze estava tentando escrever sobre os diferentes tipos de mundo em que viveu e talvez sobre como seu mundo teve que mudar e se adaptar ao mundo de ser Iron Maiden".

Show em 1995

"The Educated Fool" é, de acordo com Harris, sobre "envelhecer e todo mundo espera que você seja mais sábio, mas como, de alguma forma, quanto mais velho você fica e mais sabe, menos tem as respostas para qualquer um deles".

Don't Look to the Eyes of a Stranger” é inspirada pela observação de Steve Harris, do ponto de vista de pais, de que" todo estranho é uma ameaça possível" enquanto" Como Estais Amigos" é uma homenagem aos soldados, de ambos os lados, na Guerra das Malvinas.

Este seria o último disco da passagem Bayley pelo Maiden.


VIRTUAL XI – 1998

Novamente gravado nos estúdios particulares de Steve Harris em Essex, na Inglaterra, entre 1997 e o início de 1998, Virtual XI teve produção de Steve Harris e Nigel Green e foi lançado pela EMI em 23 de março de 1998. O disco é aberto com “Futureal”, uma faixa bem rápida e muito direta, funcionando muito bem. As limitações vocais de Blaze Bayley voltam a dar ‘às caras’ em “The Angel and the Gambler” a qual, apesar de bons solos de guitarra, apresenta uma tecladeira pouco convidativa e uma extensão inexplicavelmente grande. A extremamente pouco memorável “Lightning Strikes Twice” antecede a melhor canção do disco, “The Clansman”, com seu tom épico e envolvente, e que ficaria ainda melhor ao vivo (com a voz de Bruce Dickinson). Na sequência, a terrível “When Two Worlds Collide” até começa animadinha, mas se transforma em uma faixa de baixíssima inspiração. A coisa não melhora muito na insípida “The Educated Fool”, cujo refrão é imediatamente esquecível. Em “Don't Look to the Eyes of a Stranger”, o Iron Maiden tenta mais uma faixa longa – mais de 8 minutos – com aspecto épico e mudanças de climas e, embora nada muito inesquecível, acaba acertando. “Como Estais Amigos” encerra o álbum melancolicamente. “Futureal” e “The Angel and the Gambler” foram lançadas como single, com a segunda atingindo a 18ª colocação da principal parada britânica desta natureza. Já Virtual XI alcançou a 16ª posição da principal parada britânica de discos, enquanto ficou com a modestíssima 124ª colocação em sua correspondente norte-americana. A crítica especializada recebeu o trabalho bem friamente. Sem riffs impactantes, refrões memoráveis ou melodias marcantes, Virtual XI é, de longe, o pior álbum da discografia do Iron Maiden.

Como em sua turnê mundial anterior, vários shows nos EUA para a Virtual XI World Tour tiveram que ser cancelados, pois Bayley teve problemas vocais, embora a razão oficial tenha sido que ele estava sofrendo de uma grave reação alérgica ao pólen.

Virtual XI, cujas pontuações nas paradas de sucesso foram as mais baixas da banda até então, não conseguiu atingir um milhão de vendas mundiais pela primeira vez na história da banda.

Ao mesmo tempo, Steve Harris ajudou na remasterização de toda a discografia da banda, incluindo o Live at Donington (que foi lançado com destaque pela primeira vez).

O tempo de Bayley no Iron Maiden terminou em janeiro de 1999, quando os caras lhe pediram sua saída durante uma reunião da banda. A demissão ocorreu, oficialmente, devido a problemas que Bayley experimentou com sua voz durante a Virtual XI World Tour, embora Janick Gers tenha afirmado que isso foi, ao menos parcialmente, culpa da banda por forçá-lo a tocar músicas fora do alcance natural de sua voz.

Iron Maiden em 1998

Enquanto o grupo considerava um substituto para Bayley, Rod Smallwood convenceu Steve Harris a convidar Bruce Dickinson de volta à banda.

Embora Harris tenha admitido que "não estava realmente interessado", a princípio, ele pensou: “Bem, se a mudança acontecer, quem devemos buscar?' A questão é que conhecemos Bruce e sabemos do que ele é capaz, e você pensa: Bem, melhor o diabo que você conhece. Quero dizer, nos demos bem profissionalmente por, tipo, onze anos, e então... depois que pensei nisso, não tive realmente nenhum problema com isso”.

A banda conversou com Dickinson, que concordou em regressar durante uma reunião em Brighton, em janeiro de 1999, junto com o guitarrista Adrian Smith, que foi convidado algumas horas depois.

Com Gers, o substituto de Smith, o Iron Maiden agora tinha uma formação de três guitarras e embarcou em uma turnê de reunião de enorme sucesso. Apelidada de The Ed Hunter Tour, ela se associou à nova coletânea de maiores sucessos da banda, Ed Hunter, cuja lista de faixas foi decidida por uma pesquisa no site do grupo, e também continha um jogo de computador com o mesmo nome, estrelado pela mascote do conjunto.

Os retornos de Bruce e Adrian

Uma das principais preocupações de Dickinson em se juntar ao grupo "era se estaríamos de fato gravando um disco de ponta e não apenas um álbum de retorno", que eventualmente assumiu a forma de Brave New World, de 2000.

Tendo detestado os resultados do estúdio pessoal de Harris, o Barnyard Studios, localizado em sua propriedade em Essex, usado nos últimos quatro álbuns de estúdio do Iron Maiden, a banda gravou o novo lançamento no Guillaume Tell Studios, em Paris, França, em Novembro de 1999, com o produtor Kevin Shirley.

A arte do álbum e a música-título são referências ao romance de mesmo nome, escrito por Aldous Huxley. A metade superior da obra foi criada por Derek Riggs, e a metade inferior pelo artista digital Steve Stone.

A maioria das músicas foi escrita antes da The Ed Hunter Tour e posteriormente gravada no Guillaume Tell Studios, em Paris. Foi o primeiro álbum que a banda gravaria com o produtor Kevin Shirley e o primeiro que eles gravariam ao vivo no estúdio.

A Ed Hunter Tour

De acordo com uma entrevista com Adrian Smith, "The Nomad", "Dream of Mirrors" e "The Mercenary" foram originalmente compostas para Virtual XI, de 1998, e o ex-vocalista Blaze Bayley afirmou ter fornecido algumas letras para "Dream of Mirrors", mas não foi creditado.

Segundo Steve Harris, o trabalho também começou em "Blood Brothers", durante aquele período, mas não foi concluído na época. A música é uma homenagem para o falecido pai do baixista.


BRAVE NEW WORLD – 2000

Com produção de Steve Harris e Kevin Shirley, Brave New World foi lançado pela EMI Records em 29 de maio de 2000. A explosiva “The Wicker Man” abre o disco como nos melhores momentos do Iron Maiden, sendo rápida, pesada e direta. A melódica e inspirada “Ghost of the Navigator” vem na sequência, contando com um ótimo solo de Janick Gers. A lindíssima “Brave New World” é um deleite para fãs de belas melodias e conta com uma atuação emocionante de Dickinson e nesta mesma direção há a viciante “Blood Brothers”, uma canção espetacular! “The Mercenary” é uma típica música do conjunto, com boas doses de peso e de intensidade e antecipa outra música longa e encantadora, a mágica “Dream of Mirrors”. “The Fallen Angel” é a menor faixa do álbum, mas nem por isso é menos incrível, indo no ponto certo! “The Nomad” é mais longa e mais intrincada, com diversidade criativa de melodias e ótima atuação de Bruce. Flertando um pouco com o Hard Rock, “Out of the Silent Planet” é mais uma música muito boa. O trabalho é encerrado com a enigmática “The Thin Line Between Love and Hate”. “The Wicker Man” e “Out of the Silent Planet” foram os singles, atingindo, respectivamente, as 9ª e 20ª posições na principal parada britânica desta natureza. Brave New World ficou com os 7º e 39º lugares nas principais paradas de discos do Reino Unido e Estados Unidos e foi muito bem recebido pela crítica. O álbum foi uma mensagem certeira de que o Iron Maiden estava de volta à boa forma, com muita lenha para queimar, deixando um de seus melhores registros em toda a sua discografia.

Desta maneira, o Alvorada Sonora termina a terceira parte da Discografia Biográfica do Iron Maiden, convidando ao leitor para acompanhar a quarta e derradeira conclusão deste especial do nosso site.



*Todas as imagens retiradas da Pesquisa de Imagens do Google.

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