MELHORES DE 1968

By Daniel Benedetti - novembro 22, 2019

Os Beatles em 1968


Por Daniel Benedetti


Mais um post do Alvorada Sonora com nossa série de posts sobre os Melhores Álbuns lançados, por ano, a partir de 1965. Pretende-se percorrer os últimos 50 anos da música, com comentários totalmente pessoais a respeito dos discos classificados.


Metodologia

Deixando bem claro: o SITE NÃO ESCOLHEU os álbuns de cada ano, até porque não faria sentido comentar sobre os trabalhos que consideramos os melhores e suas posições se nós mesmos os ordenamos.

Assim, o que se fez foi contabilizar 13 diferentes listas de melhores do ano, da 1ª à 30ª posição, atribuindo 30 pontos ao primeiro e diminuindo 1 ponto por posição, até a 30ª colocação receber exatamente 1 ponto.

Portanto, após as 13 listas contabilizadas, somamos todos os pontos (de acordo com cada posição em cada uma das 13 listas), perfazendo o total somado. A não aparição em uma lista, obviamente, não gera ponto.

Desta forma, o máximo possível para um disco atingir (primeira posição em todas as listas) é 390 pontos. Os 10 álbuns de pontuação mais alta formam a lista.

No caso de empate no número de pontos, os critérios de desempate, na ordem, são:

1 – Mais aparições em listas diferentes
2 – No caso de empatarem no primeiro critério, o álbum que atingiu a posição mais alta em uma das listas fica com a colocação mais elevada.


Posts

Os posts são feitos sempre do 1º para o 10º lugar, com sua pontuação, número de presenças nas diferentes listas e comentários estritamente pessoais sobre os álbuns.


Alguns fatos históricos do ano de 1968

15 de Janeiro - Tremor de 6,8° graus atinge a ilha de Sicília, na Itália matando 230 pessoas.
27 de Março - Morre o cosmonauta soviético, Yuri Gagarin, primeiro homem a ir ao espaço em 1961. Ele tinha 34 anos e sofreu um acidente com ultraleve que ele e o co-piloto comandavam em Kirzhach.
4 de Abril - Líder negro e Prêmio Nobel da Paz de 1964, Martin Luther King é assassinado a tiros em Memphis, aos 39 anos de idade. O seu assassino, um segregacionista do sul dos Estados Unidos, James Earl Ray.
6 de Abril - Filme 2001: A Space Odyssey é lançado nos cinemas do mundo inteiro.
2 de Maio - Revolução de Maio de 68 é iniciada por estudantes da Universidade de Paris e ocorre uma greve geral na França.
1 de Agosto - Tropas da União Soviética invadem a Tchecoslováquia colocando fim à Primavera de Praga.
23 de Agosto - Morre em São Paulo, aos 73 anos o cantor Vicente Celestino.
6 de Setembro - Suazilândia torna-se um país independente.
2 de Outubro - Morre na França, aos 81 anos de idade o pintor e escultor franco-americano, Marcel Duchamp.
12 a 28 de Outubro - Decorrem na Cidade do México os Jogos Olímpicos de Verão de 1968.
13 de Outubro - Morre no Rio, aos 82 anos o poeta Manuel Bandeira.
5 de Novembro - Richard Nixon torna-se presidente dos Estados Unidos ao vencer as eleições.
13 de Dezembro - AI-5 é editado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Costa e Silva, fechando o Congresso Nacional gerando caos no país.
21 de Dezembro - Lançamento da Apollo 8 que foi a primeira nave tripulada em órbita lunar.


A Lista



1º – THE BEATLES – THE BEATLES
(370 pontos – 13/13)

Se eu tenho um álbum favorito dos Beatles, é este. O ‘álbum branco’ é outro trabalho do grupo tido como um dos melhores álbuns de todos os tempos por muita gente boa. Talvez por ser duplo, alguns ouvintes podem taxa-lo de cansativo, mas é justamente neste fato que ele me agrada: a banda passa por diversas sonoridades, executando-as com brilhantismo e extremo bom gosto. Clássicos como “Back in the U.S.S.R.”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Helter Skelter” e “Revolution 1” falam por si mesmas, além do disco conter a melhor faixa dos Beatles (para mim): a espetacular “While My Guitar Gently Weeps”, de Harrison.
*****



2º – VAN MORRISON – ASTRAL WEEKS
(330 pontos – 12/13)

Segundo álbum solo do cantor e compositor norte-irlandês, Van Morrison. Não conhecia Astral Weeks e realmente fiquei pasmo ao ouvi-lo, após a surpresa inicial de encontra-lo na segunda posição de uma lista tão disputada. O disco possui o Folk como base sonora (a influência de Dylan é inegável), mas a capacidade de fundi-lo com o Rock, o Jazz e o Blues é notável. Músicas incríveis como “Beside You”, “Ballerina” e a extraordinária “Madame George” justificam este álbum ser uma referência para músicos como Bono Vox e Bruce Springsteen.
*****



3º – THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – ELETRIC LADYLAND
(297 pontos – 11/13)

Este eu tenho em minha coleção. A obra final de Jimi Hendrix é mais um atestado de sua genialidade, deixando aquele gosto amargo de sua precoce morte, pois este disco, duplo, apresenta um Hendrix afiadíssimo e experimentando com outras musicalidades, como o Soul, o Funk, além de aprofundar seus pés no Hard Rock. “Voodoo Chile” é uma canção extraordinária, simplesmente indescritível. “Gypsy Eyes”, “Crosstown Traffic”, “Rainy Day, Dream Away” também são amostras do que foi Hendrix. Para finalizar, ainda há a soberba “1983... (A Merman I Should Turn to Be)”. Bom, ficou claro qual é o meu melhor do ano...
*****



4º – THE ROLLING STONES – BEGGARS BANQUET
(275 pontos – 11/13)

Adoro Beggars Banquet, mas ainda não o tenho em minha coleção. Trata-se de um dos melhores trabalhos dos Stones, com aquilo que o grupo fazia de melhor: um Rock simples e com a pegada Folk & Blues bem acentuada. Claro, “Sympathy for the Devil” é um clássico atemporal, mas aqui também há faixas como “No Expectations”, “Jigsaw Puzzle” “Street Fighting Man” e “Stray Cat Blues”, todas excepcionais em um álbum muito acima da média.
*****



5º – THE BAND – MUSIC FROM BIG PINK
(267 pontos – 12/13)

Music from Big Pink é o disco de estreia da The Band, nada mais nada menos que a banda que acompanhava Bob Dylan. Liderados pela genialidade do guitarrista Robbie Robertson, o grupo apresenta canções sutis e muitas vezes introspectivas, mas com uma sensibilidade incomum. “The Weight” é um clássico, mas “Chest Fever”, “I Shall Be Released” e “Tears of Rage” são exemplos da qualidade absurda desta obra. Outro álbum que tenho na minha coleção e por que tenho um enorme carinho.
*****



6º – THE KINKS – THE KINKS ARE THE VILLAGE GREEN PRESERVATION SOCIETY
(236 pontos – 10/13)

The Kinks Are the Village Green Preservation Society é outro disco que tenho em minha coleção particular e mais um o qual tenho em alta conta. A base do álbum é um Pop Rock feito com a áurea sessentista, mas contando com extrema criatividade e uma roupagem nova para a época. Isto pode ser ouvido em músicas cativantes como “Picture Book”, “Johnny Thunder”, “Days”, “Village Green” e, minha predileta, “Do You Remember Walter?”. Enfim, um disco que comprova a frase que “menos é mais”. Clássico!
*****



7º – THE VELVET UNDERGROUND – WHITE LIGHT/WHITE HEAT
(228 pontos – 12/13)

Bem, quem leu a edição anterior do ‘Melhores’ viu o que eu achei da estreia da banda. Fui surpreendido desta feita. Pensava ser impossível que o conjunto fizesse algo pior que seu horroroso debut, mas isto aqui é abaixo de qualquer crítica. O que muitos dizem ser uma opção estilística, esse tipo de som “rudimentar”, para mim, é apenas ausência de capacidades mesmo. Não tenho dúvidas de que “Sister Ray” é a pior coisa que já foi chamada de música que eu já ouvi. Terrível é pouco e vou parar por aqui para não ficar pior. Foram 40 dos piores minutos da minha vida.
*****



8º – ARETHA FRANKLIN – LADY SOUL
(216 pontos – 10/13)

Que artista espetacular foi Aretha Franklin. Ouvir Lady Soul é um presente que qualquer ouvinte pode propiciar a seus ouvidos. Quando alguém lhe perguntar o que é Soul Music, apresente-lhe este álbum. E é nesta fusão de Soul e R ‘n’ B que o trabalho se desenvolve com um brilhantismo incomum. É obrigatório homenagear as interpretações e atuações vocais de Aretha. Três grandes clássicos da carreira de Franklin estão aqui: “Chain of Fools”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” e “(Sweet Sweet Baby) Since You've Been Gone”. Acompanhada por uma banda de primeira, Lady Soul é o que se chama de “jogo ganho”.
*****



9º – THE ZOMBIES – ODESSEY & ORACLE
(206 pontos – 9/13)

Mais um que tenho em minha coleção. Odessey & Oracle é o segundo álbum de estúdio da banda The Zombies e é um disco muito, mas muito bom mesmo. Ele apresenta aquela musicalidade sessentista, entre o Pop e o Rock, mas muitas vezes flertando com o então incipiente Rock Progressivo. Faixas lindíssimas e encantadoras como “Hunp Upo n a Dream” representam bem a afirmação. Enfim, uma presença obrigatória nesta lista de melhores do ano de 68.
*****



10º – THE MOTHERS OF INVENTION – WE’RE ONLY IN IT FOR THE MONEY
(201 pontos – 10/13)

Frank Zappa e seu The Mothers of Invention continuam sua profunda veia experimental no ótimo We're Only in It for the Money. O humor ácido e satírico de Zappa é parte fundamental do álbum, fazendo uma denúncia, até certo ponto paranoica, da violência do Estado em relação ao movimento da contracultura – que seria confirmada depois. Musicalmente, o grupo continua com suas experimentações, com várias montagens e diálogos, em uma verdadeira desconstrução da música convencional. Talvez inferior a Freak Out!, mas igualmente inovador, We're Only in It for the Money permanece na música de vanguarda.


Os que quase entraram

11º - Big Brother and The Holding Company - Cheap Thrills (183 pontos)
12º - The Byrds - Sweetheart of the Rodeo (169 pontos)
13º - Cream - Wheels of Fire (149 pontos – um QUINTO lugar)
14º - Simon and GarfunkelBookends (149 pontos – um NONO lugar)
15º - The Byrds - The Notorious Byrd Brothers (114 pontos)
16º - Jeff Beck - Truth (110 pontos)
17º - The Pretty Things - S.F. Sorrow (83 pontos)
18º - Johnny Cash - At Folsom Prison (82 pontos)
19º - Aretha Franklin - Aretha Now (80 pontos)
20º - Dr. John - Gris-Gris (76 pontos)

Ao todo foram listados 118 álbuns diferentes.


Comentários Adicionais

Mais uma lista realmente impressionante. O Rock permanece o gênero dominante e o tricampeonato dos Beatles é um tapa na cara de um não fã do grupo como eu. Meu primeiro lugar seria Eletric Ladyland, mas The Beatles ter alcançado o posto é evidentemente justíssimo. Meu pódio particular seria complementado pelo incrível Odessey & Oracle, em disputa ferrenha com Lady Soul.

Particularmente, não compreendo como o álbum do bisonho The Velvet Underground pode ser citado em um ano tão competitivo como 1968 e, evidentemente, White Light/White Heat só entraria nos piores de todos os tempos. Em seu lugar, uma briga feroz entre Truth (Jeff Beck), Traffic (Traffic) e Nefertiti (Miles Davis), com vantagem para este, ocupariam a vaga. Não vejo como retirar qualquer outro álbum da lista final.


Bom, agora é com você leitor. Compartilhe sua lista nos comentários, diga o que achou, tanto da ideia do post quanto do texto, e, principalmente, ouça os discos deste ano tão emblemático na história da música. E fique ligado para a próxima lista.

  • Compartilhe:

PUBLICAÇÕES RELACIONADAS

0 comentários