CINE PSYCHOFIELD - THE DEAD CENTER

By Daniel Benedetti - novembro 18, 2019



Por Silvio Tavares, do blog Psychofield


Título: The Dead Center
Data de lançamento: 11 de outubro de 2019
Direção: Billy Senese
Elenco: Shane Carruth, Poorna Jagannathan, Jeremy Childs (…)
Nota: 8.1 (em 10)

Pode-se dizer que um bocado do poder do cinema se trata de abstrações. Elas se incorporam através de elipses, deduções, manipulações e da capacidade dos roteiristas e diretores em, ou oferecer ao público as ferramentas para a compreensão da dinâmica de seus universos particulares ou focar a atenção em elementos tão mais importantes que as pessoas simplesmente não percebem que estão diante de mundos irrealísticos.

O terror é um gênero que se encontra hoje em uma encruzilhada interessante quanto aos processos cinematográficos. O público exigente tende a demandar filmes cada vez mais detalhados, psicológicos, complexos e simbólicos e deixa de lado as atmosferas mais simples que comunicam ao íntimo, simplesmente com o intuito de criar tensão, medo, pouco se importando com finais sofisticados, reviravoltas ou explicações mirabolantes.

E é justamente nesse contexto que The Dead Center prevalece como um dos melhores filmes do gênero dos últimos anos. Longe das piadinhas tradicionais e personagens bobos com piadinhas para quebra de tensão, o filme, pelo contrário se dedica a um teor atmosférico coerente com suas entranhas em um ressoar que abrange todos os elementos desde o início.



A história possui como espaço uma ala psiquiátrica de um hospital de localização desconhecida de atendimentos aparentemente emergenciais onde os pacientes não parecem ficar muito tempo. Um médico, vivido por Shane Carruth (diretor de Primer e Upstream Color) terá grandes problemas quando um homem que parece despertar da morte inexplicavelmente, busca refúgio em uma cama num dos quartos da ala, desencadeando uma espiral de eventos bizarros, cujas origens e consequências não serão reveladas aqui.

O ponto é que o filme se dedica exclusivamente em compor os métodos para entreter, não se importando com mistérios ou reviravoltas, descartando problemas de previsibilidade ou rendição à lógica do mundo real (que francamente pouco importa quando tudo está acontecendo, já não restam unhas). E nisso atua com maestria. A tensão se incorpora ao filme de forma quase imediata, se mantém em um patamar elevado e criativo e a ideia é encarada com muita seriedade e incorporada pelos atores de modo extremamente inteligente. Uma proposta empolgante e alternativa ao terror do "primeiro tipo" que parecia corresponder à única viável a sobrevivência do gênero (à parte do "terror homenagem/referência" infinito e cansativo).

O terror vive e continua multifacetado. : )


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3 comentários

  1. Belíssima estreia, meu amigo Silvio. Seja bem-vindo ao site.

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  2. Obrigado, Dani

    Vou tentar contribuir com esse excelente acervo cultural do site com filmes com algo interessante a dizer, que ultrapassem o âmbito do tradicional, independente de serem para públicos massivos ou não.

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    1. É uma belíssima pauta, meu nobre amigo. Será um exercício muito gratificante acompanhar sua coluna e, repito, uma honra enorme publica-la.

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