MELHORES DE 1967

By Daniel Benedetti - outubro 22, 2019

Os Beatles em 1967


O Alvorada Sonora continua a série de posts sobre os Melhores Álbuns lançados, por ano, a partir de 1965. Pretende-se percorrer os últimos 50 anos da música, com comentários totalmente pessoais a respeito dos discos classificados.



Metodologia

Deixando bem claro: o SITE NÃO ESCOLHEU os álbuns de cada ano, até porque não faria sentido comentar sobre os trabalhos que consideramos os melhores e suas posições se nós mesmos os ordenamos.

Assim, o que se fez foi contabilizar 12 diferentes listas de melhores do ano, da 1ª à 30ª posição, atribuindo 30 pontos ao primeiro e diminuindo 1 ponto por posição, até a 30ª colocação receber exatamente 1 ponto.

Portanto, após as 12 listas contabilizadas, somamos todos os pontos (de acordo com cada posição em cada uma das 12 listas), perfazendo o total somado. A não aparição em uma lista, obviamente, não gera ponto.

Desta forma, o máximo possível para um disco atingir (primeira posição em todas as listas) é 360 pontos. Os 10 álbuns de pontuação mais alta formam a lista.

No caso de empate no número de pontos, os critérios de desempate, na ordem, são:

1 – Mais aparições em listas diferentes

2 – No caso de empatarem no primeiro critério, o álbum que atingiu a posição mais alta em uma das listas fica com a colocação mais elevada.


Posts

Os posts são feitos sempre do 1º para o 10º lugar, com sua pontuação, número de presenças nas diferentes listas e comentários estritamente pessoais sobre os álbuns.


Alguns fatos históricos do ano de 1967

24 de janeiro – O Forte de São Sebastião, Angra do Heroísmo, é classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 47.508.
15 de março - A República dos Estados Unidos do Brasil passa a ser denominada "República Federativa do Brasil".
14 de Abril - Gnassingbé Eyadéma torna-se presidente do Togo depois de um golpe de estado.
21 de Abril - Golpe de estado e implantação na Grécia duma ditadura militar chefiada por George Papadopoulos, sendo o Rei Constantino II obrigado a fugir. A ditadura terminou em 1974.
17 de Maio - Assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, numa primeira ação da LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária). O golpe é dirigido por Hermínio da Palma Inácio; Assalto à sede da 3ª Região Militar em Évora: desvio de armas pela LUAR.
5 de Junho - Início da Guerra dos Seis Dias. Israel ataca Egito, Síria e Jordânia.
1 de Outubro - Entrada ao serviço do NRP Albacora (S163) na Marinha Portuguesa.
8 de Outubro - O chefe de guerrilha Che Guevara e os seus companheiros são capturados nas proximidades de La Higuera, Bolívia.
9 de Outubro - Che Guevara é executado na Bolívia.
5 de Dezembro - Criação da FUNAI.


A Lista



1º – THE BEATLES – SGT. PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND
(328 pontos – 12/12)

Se eu não considero este o melhor álbum do ano, ao menos não sou louco o suficiente para denegri-lo. Sgt. Pepper’s é tido como o melhor álbum de todos os tempos por muita gente boa. Fato é que ele é um trabalho inovador, seja pela forma como foi gravado, com o estúdio funcionando como um instrumento adicional, novas técnicas de gravação, além do fato de reforçar o formato LP como mais relevante que os singles. Musicalmente, há faixas impressionantes como “With a Little Help from My Friends”, “Lucy in the Sky with Diamonds”, “A Day in the Life” e a belíssima “Within You Without You”.



2º – THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – ARE YOU EXPERIENCED
(327pontos – 12/12)

Para mim, não somente o melhor do ano, como um dos melhores de todos os tempos. Penso que o Rock pode ser dividido em antes e depois de Hendrix. Já havia riffs e solos de guitarras antes, mas não com os feeling e talento únicos de Jimi – o grande responsável por transformar a guitarra no símbolo do Rock e tirá-la de uma posição de instrumento de acompanhamento para ser a protagonista do estilo. “Manic Depression”, “Red House”, “Fire” e “Foxy Lady” são exemplos destas afirmações. Já escrevi mais sobre ele neste texto.



3º – THE VELVET UNDERGROUND & NICO – THE VELVET UNDERGROUND & NICO
(321 pontos – 12/12)

Algumas das listas pesquisadas colocaram The Velvet Underground & Nico na primeira posição, basta ver sua boa pontuação, bem próxima das duas primeiras colocações. Quando foi lançado, não fez nenhum barulho, mas foi descoberto anos depois e se tornou uma verdadeira referência para muita gente… mas não para mim. A sonoridade da banda nesta estreia não me atingiu, pelo contrário, proporcionou-me momentos de verdadeiro constrangimento como em “Venus in Furs” e em “Run Run Run”, ambas, no mínimo, pavorosas. Os fãs que me perdoem.



4º – THE DOORS – THE DOORS
(306 pontos – 12/12)

Este eu tenho em minha coleção e o considero uma obra-prima do Rock Psicodélico. A voz de Jim Morrison, a guitarra de Robby Krieger e o órgão de Ray Manzarek se entrelaçam em uma simbiose única, produzindo músicas memoráveis como “Break On Through (To the Other Side)”, “Soul Kitchen”, “Twentieth Century Fox” e as clássicas “Light My Fire” e “The End”. Um álbum único e espetacular, que marcou a carreira do The Doors para a eternidade.



5º – LOVE – FOREVER CHANGES
(241 pontos – 11/12)

Segundo representante da cena psicodélica norte-americana da lista. Confesso, não conhecia este Forever Changes, mas fiquei realmente encantado. A voz de Arthur Lee e a guitarra de Johnny Echols são destaques de um disco em que a sutileza e a suavidade são colocadas em prol da construção de melodias hipnotizantes – no melhor sentido. “A House Is Not a Motel”, “Alone Again Or” e “The Daily Planet” são maravilhosos exemplos das afirmações acima. E o que é “The Red Telephone”? Certamente irei atrás desse CD.



6º – THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – AXIS: BOLD AS LOVE
(223 pontos – 10/12)

Hendrix estava mesmo endiabrado em 1967 e o segundo álbum de sua banda também aparece no Top Ten! Axis: Bold As Love talvez realmente esteja um degrau abaixo de Are You Experienced, mas isto não é demérito algum. A faixa-título é incrível e apenas a presença da extraordinária “Little Wing” já o colocaria entre os melhores discos do ano. Acompanhado por músicos do calibre do baterista Mitch Mitchell e do baixista Noel Redding, Jimi brilha intensamente em faixas como "Spanish Castle Magic" e "Little Miss Lover". Encontre uma análise detalhada dele aqui.



7º – ARETHA FRANKLIN – I NEVER LOVED A MAN THE WAY I LOVE YOU
(209 pontos – 11/12)

I Never Loved a Man the Way I Love You é o décimo álbum de estúdio da inigualável Aretha Franklin e é uma peça de valor incalculável. “Respect” - e o seu significado como hino pelos Direitos Civis e Direitos das Mulheres – já valeria o álbum: mas ele, inacreditavelmente, é bem mais que isso. A atuação memorável de Aretha em todas as canções são verdadeiras aulas para as pseudo-cantoras que se esgoelam (e não cantam) por aí. A interpretação de Franklin nas baladas “Soul Serenade” e “Do Right Woman, Do Right Man” emocionam verdadeiramente. Enfim, um retrato fiel da Soul Music em uma das vozes mais sensacionais da história.



8º – PINK FLOYD – THE PIPER AT THE GATES OF DAWN
(188 pontos – 9/12)

The Piper at the Gates of Dawn é o álbum de estreia do Pink Floyd, mas bem que poderia ser considerado um disco apenas de Syd Barrett. Sua sonoridade navega pelo Rock Psicodélico e é uma obra muito experimental, portanto, distante do Rock Progressivo que consagraria a banda anos depois. Muito longe de ser um álbum ruim, mas não consigo perceber nele toda a tal genialidade decantada em verso e prosa. O Pink Floyd que eu venero se estabeleceria na década seguinte.



9º – JEFFERSON AIRPLANE – SURREALISTIC PILLOW
(172 pontos – 12/12)

Mais um que tenho em minha coleção. A presença de Surrealistic Pillow em todas as listas pesquisadas para esta edição do ‘Melhores’ garantiu sua presença no Top Ten. E com muita justiça: é, de fato, um dos grandiosos trabalhos daquele ano. Também é o terceiro disco da cena psicodélica californiana na lista. Entretanto, o Jefferson Airplane se difere um pouquinho de suas companheiras de lista pelo fato de sua sonoridade, algumas vezes, explorar uma visceralidade mais contundente, como em faixas fantásticas tais quais “3/5 of a Mile in 10 Seconds”, “She Has Funny Cars” e “Plastic Fantastic Lover”. Os vocais sensacionais de Grace Slick fazem de “Somebody to Love” forte candidata à música do ano. Enfim, oscilando entre suavidade e intensidade, Surrealistic Pillow é um álbum fenomenal.



10º – CREAM – DISRAELI GEARS
(158 pontos – 8/12)

Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton. Que Power Trio, meus amigos! Para fãs de Hard Rock e Heavy Metal, como eu, Disraeli Gears é um álbum seminal, fundamental… Mergulhando na sonoridade psicodélica, a banda entrega performances viscerais e energéticas em faixas clássicas como “Strange Brew”, a imortal “Sunshine of Your Love” e “SWLABR”. E pensar que eles eram ainda melhores ao vivo! Não se deixe enganar, Disraeli Gears (e o Cream) são sementes do Rock setentista. Discaço!


Os que quase entraram

11º - The Beatles - Magical Mystery Tour (157 pontos)
12º - The Kinks - Something Else (147 pontos)
13º - The Rolling Stones - Between the Buttons (143 pontos)
14º - The Byrds - Younger Than Yesterday (140 pontos)
15º - The Doors - Strange Days (139 pontos)
16º - Leonard Cohen - Songs of Leonard Cohen (137 pontos)
17º - The Who - The Who Sell Out (122 pontos)
18º - Buffalo Springfield - Buffalo Springfield Again (121 pontos)
19º - Bob Dylan - John Wesley Harding (101 pontos)
20º - Moby Grape - Moby Grape (100 pontos)

Ao todo foram listados 111 álbuns diferentes.


Comentários Adicionais

Que belíssima lista. Fica até difícil tecer alguns comentários, pois há vários discos emblemáticos e a certeza de que 1967 foi espetacular para a música. Outro detalhe é o domínio maciço do Rock. Are You Experienced seria meu primeiro lugar, mas Sgt. Peper’s ocupar esta posição é justíssimo e não há o que se reclamar disto. Esperava The Doors no pódio e Disraeli Gears em posição mais alta (quase não entrou nos 10).

Em uma lista particular, mesmo não sendo fã de Beatles, Sgt. Peper’s precisa estar presente. Com certeza sairiam The Piper at the Gates of Dawn e The Velvet Underground & Nico. Suas posições seriam disputadas por Buffalo Springfield Again, Little Games (Yardbirds), Mr. Fantasy (Traffic) e Days of Future Passed (The Moody Blues). A única certeza é que eu desejo do fundo da minha alma jamais ter que ouvir The Velvet Underground & Nico outra vez.


Bom, agora é com você leitor. Compartilhe sua lista nos comentários, diga o que achou, tanto da ideia do post quanto do texto, e, principalmente, ouça os discos deste ano tão emblemático na história da música. E fique ligado para a próxima lista.

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