MELHORES DE 1966

By Daniel Benedetti - setembro 18, 2019

Os Beatles em 1966
O Alvorada Sonora continua a série de posts sobre os Melhores Álbuns lançados, por ano, a partir de 1965. Pretende-se percorrer os últimos 50 anos da música, com comentários totalmente pessoais a respeito dos discos classificados.



Metodologia

Deixando bem claro: o SITE NÃO ESCOLHEU os álbuns de cada ano, até porque não faria sentido comentar sobre os trabalhos que consideramos os melhores e suas posições se nós mesmos os ordenamos.

Assim, o que se fez foi contabilizar 12 diferentes listas de melhores do ano, da 1ª à 30ª posição, atribuindo 30 pontos ao primeiro e diminuindo 1 ponto por posição, até a 30ª colocação receber exatamente 1 ponto.

Portanto, após as 12 listas contabilizadas, somamos todos os pontos (de acordo com cada posição em cada uma das 12 listas), perfazendo o total somado. A não aparição em uma lista, obviamente, não gera ponto.

Desta forma, o máximo possível para um disco atingir (primeira posição em todas as listas) é 360 pontos. Os 10 álbuns de pontuação mais alta formam a lista.

No caso de empate no número de pontos, os critérios de desempate, na ordem, são:

1 – Mais aparições em listas diferentes

2 – No caso de empatarem no primeiro critério, o álbum que atingiu a posição mais alta em uma das listas fica com a colocação mais elevada.


Posts

Os posts são feitos sempre do 1º para o 10º lugar, com sua pontuação, número de presenças nas diferentes listas e comentários estritamente pessoais sobre os álbuns.


Fatos históricos do ano de 1966

10 de janeiro - Indira Gandhi (1917-1984) é eleita primeira-ministra da Índia. Filha de Jawaharlal Nehru, Indira Gandhi governou o país entre 1966 e 1977 e entre 1980 e a data da sua morte em 1984.
5 de fevereiro - A sonda soviética Lunik 9 torna-se o primeiro objeto construído pelo homem a pousar com suavidade na superfície lunar e a emitir uma série de imagens do Mar das Tormentas.
26 de maio - A Guiana torna-se independente relativamente ao Reino Unido, passando a fazer parte da Commonwealth Britânica.
30 de julho - Termina o campeonato do mundo de futebol realizado na Inglaterra. Na final, sagra-se campeã a Inglaterra depois de vencer a Alemanha Ocidental por 4-2.
30 de setembro - Botswana torna-se independente relativamente ao Reino Unido, passando a fazer parte da Commonwealth Britânica.
30 de novembro - Barbados torna-se independente relativamente ao Reino Unido, passando a fazer parte da Commonwealth Britânica.
15 de dezembro - Morre Walt Disney.


A Lista


1º – THE BEATLES – REVOLVER (338 pontos – 12/12)

Neste álbum, os Beatles tentam soar mais psicodélicos e, sem dúvidas, é um álbum mais adulto da banda quando comparado aos seus antecessores. Os fãs que me perdoem, mas não consigo ver este trabalho como o melhor do ano, muito por conta da terrível “Eleanor Rigby” e de uma das piores coisas que eu já ouvi na vida: “Yellow Submarine”. O lado B não me chama a atenção, com exceção de “I Want to Tell You”, a qual anuncia George Harrison como o grande nome do disco, pois também são dele a ótima “Taxman” e a experimental “Love You To”, com a presença da cítara em uma clara viagem à música indiana. Outra canção memorável é a roqueira “She Said She Said”.


2º – THE BEACH BOYS – PET SOUNDS (333 pontos – 12/12)

Pet Sounds é onipresente em listas de melhores discos de todos os tempos. Mesmo não sendo fã do The Beach Boys, é possível compreender a adoração pelo trabalho. É extremamente sólida e palpável, durante a audição, a preocupação com cada detalhe de cada uma das composições, bem como a atenção para cada milésimo de segundo de sua produção. As características harmonias vocais da banda estão ainda mais caprichadas e tenho a percepção de uma certa triste melancolia na sonoridade. Destaco a clássica “Wouldn’t It Be Nice”, a tocante “Sloop John B”, a atmosférica “I’m Waiting for the Day” e a lindíssima “God Only Knows”.


3º – BOB DYLAN – BLONDE ON BLONDE (316 pontos – 12/12)

Este eu tenho em minha coleção. É um dos melhores álbuns que já ouvi, e não tem nenhuma música nem perto de ser mediana. Blonde on Blonde é uma fantástica jornada de Bob Dylan pela música norte-americana, em um disco que preza pelo apuro instrumental e o cuidado com cada detalhe. Destaco todas as faixas, mas cito os Blues fenomenais de “Pledging My Time” e “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, o Folk primoroso de “4th Time Around”, o Rock ‘n’ Roll simples e soberbo de “Obviously 5 Believers” e, se não bastassem, a épica “Sad Eyed Lady of the Lowlands”. Álbum espetacular.


4º – THE ROLLING STONES – AFTERMATH (262 pontos – 12/12)

Tomei a versão inglesa como referência para os comentários. É neste álbum, o primeiro 100% autoral da banda, que a dupla formada por Mick Jagger e Keith Richards firma-se como o centro criativo do Rolling Stones. Aftermath ainda não é o melhor material do grupo, mas já apresenta faixas memoráveis como a ótima “Stupid Girl”, a balada “Lady Jane”, a genial “Goin’ Home” e o Blues Rock cafajeste, típico do conjunto, que dá as caras em “It’s Not Easy”, “Doncha Bother Me” e na clássica “Under My Thumb”. Preciso deste disco na minha coleção.


5º – THE MOTHERS OF INVENTION – FREAK OUT! (261 pontos – 11/12)

Confesso que conhecia este álbum apenas superficialmente. Freak Out! é um disco que, originalmente, continha 2 LP’s, fato o qual já demonstra a ousadia do genial Frank Zappa para um trabalho de estreia de seu Mothers of Invention. Além disso, Freak Out! também é citado como um dos primeiros álbuns conceituais da história do Rock. Por seus 60 minutos e suas 14 canções, é possível ter contato com música concreta, dissonância melódica, mudança de ritmos e tempos, e efeitos de estúdio. Enfim, trata-se de uma obra-prima, música de vanguarda, extramente influente e muito à frente de seu tempo. Faixas incríveis como “Hungry Freaks, Daddy”, “Who Are the Brain Police?” e “The Return of the Son of Monster Magnet” são amostras destas afirmações.


6º – THE KINKS – FACE TO FACE (181 pontos – 9/12)

Face to Face é um belíssimo disco de Rock, o qual demonstra a grande qualidade de Ray Davies como compositor e principal mola criativa do The Kinks. É outro álbum tido como um dos primeiros conceituais da história. Aqui, o grupo se desprende da antiga sonoridade, apostando em uma veia roqueira (mas com inegável apelo Pop), e influências clássicas (ouça “Session Man”). Lindas canções estão aqui como “Rosy Won’t Please Come Home”, “Rainy Day in June”, “Too Much on My Mind” e “Fancy”. Maravilhoso disco!


7º – JOHN MAYALL – BLUES BRAKERS WITH E. CLAPTON (177 pontos – 9/12)

John Mayall & the Blues Breakers se uniram ao talento incomum de Eric Clapton para uma verdadeira ode ao Blues, em um disco único – que, infelizmente, na maior parte das vezes, somente os amantes do Blues conseguem compreender. Além de ótimas composições próprias, como “Little Girl”, “Double Crossing Time” e “Have You Heard”, há versões espetaculares de clássicos como “What’d I Say” (Ray Charles), “All Your Love” (Otis Rush) e “Parchman Farm” (Mose Allison). Reafirmo: uma peça única e essencial.


8º – THE MAMAS & THE PAPAS – IF YOU CAN BELIEVE YOUR EYES AND EARS
(163 pontos – 9/12)

Jamais havia escutado If You Can Believe Your Eyes and Ears e nunca fui um grande conhecedor do The Mamas & The Papas. Somente a versão definitiva e soberba do clássico atemporal “California Dreamin’” já vale a audição do disco. O álbum possui uma sonoridade amena, mais voltada à veia Pop e as harmonias vocais, belíssimas, são o seu ponto alto. Mas, para ouvidos embrutecidos como os meus, o ‘punch’ e a pegada que sobram em “California Dreamin’” ficam ausentes no restante do trabalho. Mas é, obviamente, uma percepção puramente pessoal.


9º – SIMON & GARFUNKEL – PARSLEY, SAGE, ROSEMARY AND THYME
(154 pontos – 7/12)

Eu não conhecia Parsley, Sage, Rosemary and Thyme antes desta audição, embora já tivesse ouvido canções espalhadas de Simon & Garfunkel. A palavra que encontro para definir este trabalho é sutileza: seja na delicadeza das composições do genial Paul Simon; seja na doce execução das canções. As harmonias vocais são sutilmente colocadas e a musicalidade abraça o Folk, por vezes acústica, em outras em claro flerte com o Rock. Destaco “Scarborough Fair/Canticle”, “Patterns”, “Homeward Bound” e “For Emily, Whenever I May Find Her”.


10º – OTIS REDDING – COMPLETE & UNBELIEVABLE: THE OTIS REDDING DICTIONARY OF SOUL (139 pontos – 7/12)

Segunda edição do Melhores do Ano, e segunda aparição de Otis Redding. Talvez Complete & Unbelievable: The Otis Redding Dictionary of Soul não seja do mesmo nível de Otis Blue/Otis Redding Sings Soul, mas isto não é nenhum demérito. Otis Redding é um vocalista formidável e, desta feita, arrisca-se mais vezes como compositor, trazendo ótimas canções autorais como “My Lover's Prayer” e “She Put the Hurt on Me”. A guitarra de Steve Cropper e o piano de Isaac Hayes engrandecem as músicas, como na bela balada “Try a Little Tenderness” e na surreal versão para “Tennessee Waltz”. É… virei fã!


Os que quase entraram

11º - The Yardbirds - Yardbirds (Roger the Engineer) (115 pontos – 8 listas)
12º - Cream - Fresh Cream (115 pontos – 7 listas)
13º - Simon & Garfunkel - The Sounds of Silence (114 pontos)
14º - The Byrds - Fifth Dimension (109 pontos)
15º - The Monks - Black Monk Time (103 pontos)
16º- 13th Floor Elevators - The Psychedelic Sounds of the 13th Floor Elevator (101 pontos)
17º - John Coltrane – Ascencion (83 pontos)
18º - The Who - A Quick One (81 pontos)
19º - Buffalo Springfield - Buffalo Springfield (77 pontos)
20º - Wayne Shorter – Speak No Evil (72 pontos)

Ao todo foram listados 114 álbuns diferentes.


Comentários Adicionais

Sem sombra de dúvidas, 1966 é um ano especial para a música, com vários álbuns que marcaram a história – e a lista reflete esta qualidade. Mesmo com um trabalho relevante dos Beatles na disputa, esperava Pet Sounds no topo. Pela relevância histórica e inovação, Freak Out! deveria ser, no mínimo pódio.

Em uma lista particular, Revolver não estaria presente. Blonde on Blonde seria meu primeiro lugar, seguido de Pet Sounds e Freak Out! Acho um crime ‘lesa música’ que algumas listas pesquisadas sequer citem Yardbirds entre os 30 mais do ano! Parsley, Sage, Rosemary and Thyme e If You Can Believe Your Eyes and Ears dariam seus lugares para Fresh Cream e Buffalo Springfield.


Bom, agora é com você leitor. Compartilhe sua lista nos comentários, diga o que achou, tanto da ideia do post quanto do texto, e, principalmente, ouça os discos deste ano tão emblemático na história da música. E fique ligado para a próxima lista.

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