MELHORES DE 1965

By Daniel Benedetti - agosto 23, 2019

Bob Dylan, em 1965


O Alvorada Sonora inicia uma série de posts sobre os Melhores Álbuns lançados, por ano, a partir de 1965. Pretende-se percorrer os últimos 50 anos da música, com comentários totalmente pessoais a respeito dos discos classificados.



Porque 1965?

A década de 1960 foi quando realmente a indústria musical se alavancou e passou a investir mais em álbuns que em singles, e os artistas/bandas começaram, também, a se concentrarem mais neste tipo de trabalho de composição.

O ano de 1965 é exatamente o meio desta virada e o Blog entendeu por bem iniciar esta jornada por ele, conforme mencionado, percorrendo os últimos 50 anos da música.


Metodologia

Deixando bem claro: o BLOG NÃO ESCOLHEU os álbuns de cada ano, até porque não faria sentido comentar sobre os trabalhos que consideramos os melhores e suas posições se nós mesmos os ordenamos.

Assim, o que se fez foi contabilizar 9 diferentes listas de melhores do ano, da 1ª à 30ª posição, atribuindo 30 pontos ao primeiro e diminuindo 1 ponto por posição, até a 30ª colocação receber exatamente 1 ponto.

Portanto, após as 9 listas contabilizadas, somamos todos os pontos (de acordo com cada posição em cada uma das 9 listas), perfazendo o total somado. A não aparição em uma lista, obviamente, não gera ponto.

Desta forma, o máximo possível para um disco atingir (primeira posição em todas as listas) é 270 pontos. Os 10 álbuns de pontuação mais alta formam a lista.

No caso de empate no número de pontos, os critérios de desempate, na ordem, são:

1 – Mais aparições em listas diferentes

2 – No caso de empatarem no primeiro critério, o álbum que atingiu a posição mais alta em uma das listas fica com a colocação mais elevada.


Posts

Os posts são feitos sempre do 1º para o 10º lugar, com sua pontuação, número de presenças nas diferentes listas e comentários estritamente pessoais sobre os álbuns.


Fatos históricos do ano de 1965

9 de fevereiro - Tropas dos Estados Unidos entram na Guerra do Vietnã, enviando exército para o Vietnã do Sul.
21 de fevereiro - Ativista afro-americano pelos direitos dos negros, Malcolm X é assassinado em Nova York, aos 39 anos.
6 de abril - Realizado o primeiro Festival de Música Popular Brasileira.
29 de abril - Tropas dos Estados Unidos invadem a República Dominicana.
31 de julho - Sonda Mariner IV envia as primeiras fotos de Marte á NASA.
26 de novembro - Fundação do MDB.
3 de dezembro - Lançamento de Rubber Soul, o sexto álbum de estúdio lançado pela banda de rock britânico The Beatles
27 de dezembro - Fundação do partido Arena.


A Lista



1º – BOB DYLAN – HIGHWAY 61 REVISITED (244 pontos – 9/9)

Este eu tenho em minha coleção. Facilmente um dos melhores discos de todos os tempos, somente a emblemática “Like A Rolling Stone” já valeria sua presença nesta lista. Mas não é “apenas” isto. Ampliar as possibilidades de sua sonoridade, com o uso de guitarras elétricas, revelou-se mais que um acerto: colocou, definitivamente, o nome de Dylan como um dos gênios da história da música. “Tombstone Blues”, “From a Buick 6”, “Ballad of a Thin Man”, “Highway 61 Revisited” e “Desolation Row” são amostras da supracitada genialidade do músico.



2º – THE BEATLES – RUBBER SOUL (237 pontos – 9/9)

Eu faço parte daquele 1% da população que não gosta de Beatles, que fique bem claro, mas não é por isso que eu não reconheça todos os infinitos méritos da banda. Rubber Soul é o primeiro passo do grupo em se distanciar do chamado iê-iê-iê, a experimentar novas musicalidades e evoluir nas harmonias vocais – as quais se apresentam mais sofisticadas. Ouvi-lo, novamente, depois de tanto tempo, foi até muito melhor que o esperado. “The Word” é horrível e eu continuo odiando “Wait”, mas há faixas bem legais como “Nowhere Man”, “What Goes On” e “In My Life”, embora “Drive My Car” seja, de longe, a minha preferida.



3º – OTIS REDDING – OTIS BLUES/OTIS REDDING SINGS SOUL (213 pontos – 8/9)

Confesso que não conhecia este disco e fiquei bastante contente com a sua audição. A voz de Otis Redding era algo simplesmente encantador tal qual sua capacidade interpretativa. A ótima banda que o acompanha pratica um Soul e R&B contagiantes, construindo versões extasiantes para canções como “Rock Me Baby”, “Shake”, “Satisfaction”, além da definitiva conversão para “My Girl”. As lindíssimas baladas “Change Gonna Come” e “I've Been Loving You Too Long” são embaladas pelo piano de Isaac Hayes e pela guitarra de Steve Cropper. Certamente é um álbum que irei atrás para minha coleção.



4º – THE BEATLES – HELP! (206 pontos – 9/9)

Este foi bem mais difícil de tolerar, dando-me a definitiva certeza que a fase inicial dos Beatles não é para mim. Tudo bem, “Help!” é uma canção bem legal, a versão de “Dizzy Miss Lizzy” é divertida e “Yesterday” é linda, mas termina por aí. “I Need You” e “Another Girl” eu achei terríveis e, assim sendo, Help! é um álbum no máximo mediano na minha concepção.



5º – BOB DYLAN – BRINGING IT ALL BACK HOME (205 pontos – 8/9)

Este eu também tenho na minha coleção. Neste álbum, Dylan começa a explorar a sonoridade que seria melhor desenvolvida em Highway 61 Revisited. Mas Bringing It All Back Home é um ótimo trabalho, com grandes canções que abraçam o Folk e o Rock de modo harmônico e balanceado. O Lado A se apresenta elétrico enquanto o B se revela acústico e, em ambos, há grandes músicas como “Subterranean Homesick Blues”, “Outlaw Blues”, “Mr. Tambourine Man” e a incrível “It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)”. Baita disco!



6º – THE WHO – MY GENERATION (175 pontos – 8/9)

Outro álbum que tenho em minha coleção e pelo qual possuo grande apreço. Esperava que ele ocupasse, no mínimo, um lugar no pódio. My Generation traz os primórdios do Hard Rock, carregado pelos talentos de Pete Townshend, Keith Moon e John Entwistle. Faixas adoráveis como “The Kids Are Alright” e “My Generation” estão presentes e o leitor que quiser conhecer pormenores da obra pode verificar no post que fiz sobre o mesmo aqui!



7º – THE BEACH BOYS – THE BEACH BOYS TODAY! (174 pontos – 8/9)

Sem dúvidas, um disco fácil e divertido de se ouvir. “When I Grow Up (To Be a Man)” é ótima e “Do You Wanna Dance?” soa encantadora. O forte do álbum são as harmonias vocais, sempre construídas com capricho e muito bom gosto apesar de, para meu gosto pessoal, as virtudes pararem por aí e no final ele começar a parecer cansativo.



8º – JOHN COLTRANE – A LOVE SUPREME (155 pontos – 6/9)

O quarteto formado Elvin Jones, Jimmy Garrison, McCoy Tyner e liderados por John Coltrane produziu uma verdadeira obra-prima em A Love Supreme, embora, deva reconhecer, que não são todas as mentes aptas a compreenderem o tamanho desta impecável peça de arte. A construção das melodias e da musicalidade, com várias nuances, representam de maneira exímia o ‘Modal Jazz’ com o sax de Coltrane soberbo, revelando as influências que a participação de Coltrane no estratosférico Kind of Blue, de Miles Davis, gerou frutos de igual magnitude. Álbum simplesmente sensacional.



9º – THE BYRDS – MR. TAMBOURINE MAN (137 pontos – 8/9)

É mais um disco que tenho em minha coleção. Mr. Tambourine Man ainda não é o The Byrds que eu aprendi a adorar, embora, devo reconhecer, já apresenta o talento do grupo em construir melodias apaixonantes como em “Here Without You”, “I Knew I'd Want You” e “It’s No Use”, todas embaladas na genialidade do guitarrista Gene Clark. O lado Folk é muito presente na banda, com forte influência de Bob Dylan (há quatro versões de suas músicas no álbum), bem como da veia Pop dos Beatles, mas com o toque inegável e personalístico dos Byrds. Grande disco!



10º – THE ROLLING STONES – OUT OF OUR HEADS (108 pontos – 6/9)

Eu levei em conta a versão britânica do disco. Embora também adore Stones, ainda não tenho este álbum. Out of Our Heads é um bom trabalho, com uma ótima pegada Blues, ainda que careça de material autoral (“Gotta Get Away” e “I’m Free” são ótimas). Nas versões, temos “She Said ‘Yeah’” bem suja e pesada, em um verdadeiro prenúncio do Hard Rock, assim como “Cry to Me” e “Talkin' 'Bout You” são músicas que ganham muito com a roupagem mais roqueira. Na versão americana, o álbum ainda ganha uma nova dimensão com a atemporal “(I Can't Get No) Satisfaction”.


Os que quase entraram

11º - The Sonics - Here Are The Sonics!!! (98 pontos)
12º - Andrew Hill - Point of Departure (79 pontos)
13º - Albert Ayler Trio - Spiritual Unity (73 pontos)
14º - Herbie Hancock - Maiden Voyage (70 pontos)
15º - The Byrds - Turn! Turn! Turn! (68 pontos – 5 listas)
16º - Them - The Angry Young Them/Them (Featuring Here Comes The Night) (68 pontos – 4 listas)
17º - The Kinks - The Kink Kontroversy (66 pontos)
18º - BB KingLive at Reagal (62 pontos)
19º - Horace Silver Quintet - Song For My Father (60 pontos – 4 listas)
20º - Vince Guaraldi - A Charlie Brown Christmas (60 pontos – 3 listas)

Ao todo foram listados 92 álbuns diferentes.


Comentários Adicionais

Não há dúvidas de que esta é uma lista muito bem representativa do que foi o ano de 1965 na música. O Rock começava a subir nas paradas, com ênfase nas bandas britânicas. Bob Dylan e The Beatles, duas das principais influências da música ocidental, aparecem com seus 2 trabalhos. Fiquei bem feliz, confesso, com a presença do antológico Highway 61 Revisited na merecida 1ª posição, embora, confesso, não vejo como A Love Supreme possa ser considerado inferior. Meu pódio particular seria completado pelo influente My Generation.

Em uma lista particular, pelos motivos que já citei, não seria honesto colocar Beatles, e seus dois discos seriam substituídos por The Kink Kontroversy (The Kinks) e ESP (Miles Davis). Outro que merecia um lugar na lista é For Your Love (The Yardbirds).


Bom, agora é com você leitor. Compartilhe sua lista nos comentários, diga o que achou, tanto da ideia do post quanto do texto, e, principalmente, ouça os discos deste ano tão emblemático na história da música. E fique ligado para a próxima lista.

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